Sempre fui fininho.
Íamos a acampamentos, e o meu bando de 'lobitos' era altamente.
Entrei na escola primaria e, com alguma dificuldade, adaptei-me a este novo ambiente. O pessoal andava aos grupinhos, mas o pessoal do bairro estava sempre junto. Tive os meus primeiros 'melhores amigos'. O Tiago, o Roberto, o Zé Paulo, a Raquel (uma 'outsider', não era do bairro, mas era fixe), a Telma, a Joana...
Acho que a Raquel foi a minha primeira crush... Ah belos tempos.
Nos intervalos jogávamos ao 'Espita' e ao 'Jogo da Carica', não haviam cá 'Candy Crush' ou 'Angry Birds'.
Tive uma professora na segunda e terceira classe que me marcou. A professora Felisbela. Era uma fixe. Uma vez desferi um golpe num olho dum chico esperto e ela não chamou o meu pai.
Eventualmente cheguei ao Ciclo. Nesta altura já havia aquela pressão para ver quem tinha as sapatilhas mais fixes de marca.
Mantive contacto com os amigos da escola primaria, mas agora apenas no Bairro. Cedo, fiz mais amigos.
Aqui o ambiente era completamente diferente. Haviam os grupinhos, mas diferentes. Muito mais selectivos. Eram no máximo 3 grupos: os 'cool', os 'nerds' e finalmente os 'pobres'.
Fiquei mestre no Ping-pong, mas os Reis eram o 'Rascasso' e o Sandro. Havia pessoal que queria chegar ao fim dos torneios só para ter a honra de perder com estas divindades do Ping-pong.
Tinha 11 anos quando comecei a jogar andebol. Gosto de pensar que era bom naquilo. Pelo menos nas camadas mais jovens.
Aos 15 anos, entrei para a Secundaria.
Aqui já com uma maturidade diferente, mas mesmo assim, ambiente estranho.
Foi entre Ciclo e Secundaria, que descobri a má vida.
Nesta altura já acampava no Farol como um homenzinho.
Entrei na Universidade. Gestão Hoteleira foi o que escolhi.
Acho que foi na Universidade que melhor me adaptei. Talvez por andar sempre bêbado e toda a gente era minha amiga.
Trabalhei na Worten em part-time para poder estar na Universidade.
Hoje estou em Londres, uma das melhores cidades do Mundo.
Sempre fui sentimental, e quase sempre chorei quando tinha vontade. Sem medo de parecer um mariquinhas.
Nunca fui ingrato. Sempre fui humilde.
Tudo o que sou hoje, devo ao meu Pai.
Sempre fui fininho.
O rapazinho do Bairro dos Índios.


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